NABIÇAS, GRELOS E NABOS

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Começa a época das nabiças, dos grelos e dos nabos. No Nordeste Transmontano ainda conseguimos apreciar inúmeros nabais semeados pelas hortas. Os nabais para além de serem semeados para a alimentação humana, contribuem também para a alimentação dos animais. Por toda a região ainda existem muitas famílias com animais, os nabos são fonte de subsistência alimentar durante uma boa parte do ano. As nabiças são segadas para as vacas e os porcos, mais tarde quem termina com o nabal são as ovelhas e as cabras, os proprietários entregam o nabal aos pastores, em troca, estes oferecem leite aos proprietários para fazerem o seu queijo. Assim vai acontecendo com os nabais que os meus pais semeiam.

Lembro-me quando era mais novo, nas férias da escola, ir com o meu avô de carroça para a horta. Levantar cedo, manhas frias, que sacrifício!!! Nesta altura quando chegávamos ao nabal, tirava a minha navalha do bolso e “bota” lá um nabo. Arrancava-o da terra, descascava-o e estava pronto para comer, sabia tão bem! Foram vivências que passaram. Agora dificilmente, os mais jovens experimentam comer um nabo cru. Os tempos mudaram...

Neste grupo, os grelos são os favoritos para muita gente. São utilizados na nossa gastronomia de muitas formas, podemos encontra-los em entradas, em pratos de peixe e carne, como acompanhamento, cozidos, salteados, guisados... Ao contrários dos grelos, as nabiças são menos valorizadas, mas eu gosto tanto de um Caldo de Nabiças à moda antiga. 

O meu próximo artigo, vai ser a receita do Caldo de Nabiças que a minha avó, nesta altura do ano, nos presenteia à mesa. Uma receita simples confecionada da forma como a minha avó aprendeu com a sua mãe. Estes são os sabores e memórias que nunca vou perder. 

Estejam atentos!